• Dolores 602

Luz! Tinta! Ação! Sobre o processo do clipe de “Cartografia”

Atualizado: 7 de Mar de 2018

Fazer o clipe de “Cartografia” foi catártico, foi macio, foi doce, foi ácido. Primeiro, o Xande Pires (diretor, http://imagofilmes.com.br/) ouviu “Astronauta” e disse: “vamos fazer algo juntos!”. Topado! Na hora!


Fomos. Algumas reuniões, conversas agradabilíssimas de criação livre, aberta, sem julgamentos, cuidadosas e carinhosas, que fluíram para o conceito do clipe, que muito nos emociona, que é “a liberdade de sermos quem somos”. A música escolhida foi “Cartografia”. Casamento perfeito. =)


Pensando em valorizar o corpo como casa de uma individualidade a ser respeitada e ao mesmo tempo trazer a diversidade dos corpos e a unidade a partir da junção deles, convidamos pessoas muito especiais pra nós, por suas trajetórias de vida, pela construção que fizeram de si mesmxs. Idylla Silmarovi, João Maria Kaisen, Gabriela Meneses, Dudi Polonis, Demétrio Alves, Déa Trancoso. Pessoas tão diversas e que toparam entrar nessa com a gente, assim como Maíra Paiva (https://www.instagram.com/mairapaiva_/), a artista plástica que convidamos para pintar a subjetividade dessas pessoas em seus corpos.


Foram dois dias de fazeção do clipe em fevereiro. No sábado, 24, começamos com um bate-papo para apresentarmos melhor a ideia do clipe às pessoas convidadas e nos conhecermos melhor. Que o que?! Não foi apenas isso. Se desse para escrever aqui toda a emoção que foi esse momento…! Até choveu no final da conversa. Também pudera… quem disse que seria fácil fazer um clipe que busca somente responder à pergunta: “como é para você habitar esse corpo?”. O que ficou foi o sentimento de que somos realmente únicxs, que temos histórias complexas de afirmação e resistência e que, por isso mesmo, não estamos soxinhxs. Histórias essas que não ficarão ditas apenas nesse bate-papo do sábado, pois logo depois dessa conversa e de um café maravilhoso preparado pela nossa baterista Isabella Figueira, passamos ao segundo momento: o registro de pequenos vídeos com relatos das pessoas que atuaram, sobre a história de vida delas, numa narrativa que remetesse à experiência de estar naquele corpo. Eu só vi o Xande saindo do estúdio com o olho arregalado e suspirando fundo. É, gente… “viver é muito perigoso”, como dizia o querido Guimarães Rosa. E é maravilhoso também.


No segundo dia, domingo 25, começamos com mais um café (claro!), momento em que a Maíra nos mostrou os desenhos que ela fez na noite anterior, a partir dos relatos de cada participante e das palavras-chave que elxs lhe passaram.



Ficamos todxs impressionadxs com sua capacidade de traduzir a subjetividade de cada um ali. Competência é importante, mas sensibilidade é um must, minha gente!

Pronto! Passamos à ação! Xande foi para o estúdio com algumas pessoas, para fazer imagens de corpos ainda sem desenhos. Maíra iniciou as pinturas e fui assumir minha função de auxiliar nesse processo, quando ops! Déa Trancoso já estava lá toda empenhada no contorno das linhas. Adoramos.


O dia foi fluindo, entrava gente e saía gente daquele estúdio. Pintava-se lá dentro, pintava-se lá fora. Cenas incríveis, emocionantes. Movimentos.. olhares! No final, uma grande dança, mostrando que a mistura é que nos permite ser livres, e não a segregação. É preciso conviver, aceitar nossas diferenças, ser feliz, amar!



O clipe sai amanhã! Será que vocês estão tão curiosxs quanto a gente?


Camila Menezes.



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